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terça-feira, 10 de março de 2015

Coisa Clara _ de Filipe Fernandes

Desta vez na nossa coluna de "Artífices da Palavra", um poema de Filipe Fernandes. Poeta da cidade de Contagem, Fernandes compartilha sua obra em saraus e espaços motivados pela articulação independente e coletiva na cidade. Atualmente estuda letras do CEFET/MG.


Coisa clara

Visões em si se chocam,
atravessam países, árvores, águas,
atravessam a vida e até sentimentos,
em busca de algo melhor.

O eu não é suficiente,
é insaciável, não preenche,
é comum, parece vazio.
Não há lugar.

O tempo doce, que é belo e devagar,
vai passando correndo,
corre como as ideias,
que perpassam por gerações,
por anos, por conflitos e por
repetições. Não mudam.

Aquele eu, que também
é o outro, que respira, que sente,
que é recíproco e imensurável,
é a menor das considerações.

Mas há uma coisa clara, inenarrável,
que contém todos os lindos adjetivos,
e, não se sabe onde, tentam encontrá-la.
É a mais difícil das coisas fáceis...

Ontem ou no próximo instante,
amanhã ou no fim da vida,

se houver um cisco,
um fio, transparente talvez,
qualquer ínfima possibilidade,
qualquer pontinha oculta,
uma pontinha,

Se descobrirem um momento plácido,
uma hora sem notícias,
uma inverossímil chance,

Se virem um gentil senhor que se
impressionou com uma mudinha
que acabara de nascer,

ou um quase sorriso,
ou um indivisível átomo da
existência dessa coisa clara,

sempre, sempre terei a certeza
de que o mundo é possível.

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